A autofagia do PT pernambucano.

A autofagia do PT pernambucano.

mar 11

 

Em 2000 o Partido dos Trabalhadores alcançava o seu maior êxito na política pernambucana com a vitória de João Paulo contra o então prefeito do Recife que disputava a reeleição Roberto Magalhães. No ano de 2002, a maior vitória da história do PT foi a chegada de Lula na presidência da República. Naquele mesmo ano o PT disputou com Humberto Costa o Palácio do Campo das Princesas e perdeu para Jarbas Vasconcelos que disputava e conquistou a reeleição.

A frente da Prefeitura do Recife, João Paulo obteve uma nova vitória, sendo reeleito contra Cadoca e Joaquim Francisco ainda no primeiro turno em 2004. No ano de 2006 Humberto Costa era o favorito para alcançar o Palácio do Campo das Princesas contra o então governador Mendonça Filho (PFL) e o então deputado federal Eduardo Campos (PSB). Tanto Humberto quanto Eduardo tinham sido ministros de Lula, enquanto Eduardo ocupava o modesto Ministério da Ciência e Tecnologia, Humberto ocupava o vistoso Ministério da Saúde.

Veio o caso dos Sanguessugas que tirou de Humberto a chance de ser governador, colocando Eduardo Campos e Mendonça Filho no segundo turno, consequentemente dando a Eduardo uma vitória inesquecível.

No ano de 2008, depois de ter sido rifado da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas, João Paulo empurrou goela abaixo a candidatura de João da Costa e conseguiu o apoio de toda a Frente Popular em torno do seu pupilo, que saiu vitorioso novamente no primeiro turno. Neste ínterim, Humberto era secretário das Cidades, sendo responsável pelo Detran, CNH Popular e uma série de programas que lhe davam visibilidade.

No ano de 2010, disputaram o Senado na chapa de Eduardo Campos, Armando Monteiro (PTB) e o próprio Humberto Costa, então favorito a primeira vaga. As urnas se abriram e o petebista desbancou o petista, ficando com a primeira vaga. Humberto também foi vitorioso, vencendo a sua primeira eleição majoritária que disputou, mas foi o segundo senador.

Na Câmara Alta, Humberto se notabilizou por ser um bom senador e estar em sintonia com a presidenta Dilma Rousseff e o governador Eduardo Campos, até cair na besteira de se envolver na briga de João da Costa e João Paulo. Imaginando ser o candidato de toda a Frente Popular a prefeito do Recife nas eleições de 2012. Ledo engano, foi imposto pela executiva nacional, disputou com o PT rachado e perdeu as condições políticas para juntar a Frente Popular em torno dele.

O resultado todos já sabem: a dupla Humberto Costa/João Paulo ficou apenas em terceiro lugar na disputa pela prefeitura do Recife, perdendo para o eleito Geraldo Julio e o neófito Daniel Coelho. Uma sucessão de lambanças fez com que o PT saísse de protagonista político a mero coadjuvante do cenário pernambucano, sendo um cachorro vira-lata que ninguém quer se juntar.

O PT não tem um nome para lançar ao governo de Pernambuco no ano que vem. Humberto está morto politicamente, João Paulo não tem coragem cívica para ir a uma disputa inglória, as demais lideranças ameaçam largar o barco, como é o caso de João da Costa, André Campos e alguns outros que podem migrar para siglas do entorno de Eduardo Campos antes de setembro que é o prazo que se encerra para a filiação de quem quer disputar algum mandato eletivo no ano que vem.

Pra piorar a situação do PT, a candidatura de Eduardo Campos se torna cada vez mais uma realidade, que mesmo que não venha a ter força nacionalmente, o que não é o caso, colocará os adversários do socialista como verdadeiros leprosos políticos aqui no estado, e o PT se inclui neste rol.

A autofagia petista levou o partido em Pernambuco a perder representatividade e ser apenas uma legenda secundária que perdeu a identidade e o respaldo político de outrora.

Coluna Gazeta Nossa primeira dezena de junho.

Coluna Gazeta Nossa primeira dezena de junho.

jun 01

Falta foco e unidade à oposição.

Mesmo diante de um cenário favorável a oposição recifense não se move corretamente e não existe uma unidade de fato buscando vencer uma eleição na capital depois de três derrotas consecutivas. O primeiro ponto é observar que bons números nas pesquisas neste momento não significam absolutamente nada. Sobretudo quando candidatos que começaram com bons números perderam eleições majoritárias. No caso do deputado Mendonça Filho (DEM) fica latente que sua candidatura não agrega e não tem condições de crescimento. Em 2006, mesmo com o cargo de governador, não conseguiu superar os 40 pontos em votos válidos, ficando no primeiro turno com 39% e no segundo com 35%. Já em 2008, Mendonça se mostrou incapaz de agregar partidos, tendo ficado sozinho na disputa e, de 30% em intenções de voto, que significaria algo em torno de 40% de votos válidos, terminou o primeiro turno com menos de 25% dos votos válidos, perdendo a sua segunda disputa majoritária. Já o ex-deputado Raul Jungmann (PPS) se mostrou incapaz de crescer, tanto em 2004 quando foi candidato a prefeito do Recife, perdendo para João Paulo, Cadoca e Joaquim Francisco, obtendo menos de 4% dos votos válidos, quanto em 2010 quando disputou o Senado, obtendo apenas 7% dos votos válidos. Mas nem tudo são espinhos para a oposição. O deputado Raul Henry (PMDB) em 2008 se mostrou um político de forte apelo majoritário, quando começou com 2% de intenções de voto e acabou com 17%, crescendo 15 pontos numa campanha sem recall e sem estrutura governamental. O deputado Daniel Coelho (PSDB) que já foi vereador do Recife por dois mandatos e bem votado na capital em 2010 para o cargo que ocupa atualmente, também surge com bons percentuais. Sem nunca ter disputado uma eleição majoritária, aparece com 8% em intenções de voto, quando transformado em válidos, surge com 13% a 15% a depender do cenário. Fica evidente que a oposição sem as máquinas deve afunilar seu projeto em apenas duas candidaturas, sendo Daniel Coelho e Raul Henry os melhores candidatos para enfrentarem todo o poderio do PT e da Frente Popular. Eles são os únicos capazes de derrotar o favoritismo governista da capital, que já venceu três eleições consecutivas. Campanhas bem organizadas, com bom discurso e leveza tendem a ajudar a oposição que tem a sua maior chance de voltar a governar a cidade com novos nomes e novas ideias. Apostar em nomes rejeitados nas urnas em eleições anteriores beira o suicídio. Se unir, focar e inovar é preciso. Senão ela estará fadada ao fracasso novamente.

Candidato – Sileno Guedes, presidente estadual do PSB, em conversa com este colunista, desmentiu os boatos que João Fernando Coutinho havia desistido de disputar a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes.

Xico de Assis Filho - O jovem advogado de 27 anos Xico de Assis Filho disputará pela primeira vez um mandato de vereador do Recife nas eleições de outubro pelo PTC. Ele conta com o apoio dos deputados Eriberto Medeiros e Ricardo Costa, seus correligionários.

DEM - Em conversa com vereadores do Recife, esta coluna obteve acesso a informação de que o DEM elegerá apenas um vereador. Priscila Krause está correndo sérios riscos de não ser reeleita. 

Mais votados - A aposta dos próprios colegas de Câmara é que Antônio Luiz Neto (PTB), Augusto Carreras (PV), Aline Mariano (PSDB) e André Ferreira (PMDB) já estão com o mandato garantido por serem os campeões de votos dos seus respectivos partidos.

Cláudio Carraly - Alegando problemas de saúde, o ex-secretário de Elias Gomes anunciou que não disputará mais mandato de vereador em Jaboatão dos Guararapes pelo PCdoB.

Betinho Gomes - Líder nas pesquisas para prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Betinho, que é jeitoso na política, já contabiliza diversos apoios de partidos da Frente Popular. O tucano tem grandes chances de virar prefeito nesta eleição.

Impasse continua no PT.

Impasse continua no PT.

mai 24

Em reunião realizada pela executiva nacional, o Partido dos Trabalhadores optou pela anulação do resultado das prévias realizadas no último domingo para definir o candidato do partido à prefeitura do Recife.

O pleito que deu a vitória ao prefeito João da Costa por uma diferença de quase seiscentos votos foi contestado pela ala que apoiava o deputado Maurício Rands.

Ficou marcado para o próximo dia 3 de junho um novo embate entre os pré-candidatos, porém, pode-se chegar a um acordo neste ínterim e evitar que haja uma nova disputa.

O candidato que unificaria o PT seria o senador Humberto Costa.

Os números da pesquisa Maurício de Nassau sobre o Recife.

Os números da pesquisa Maurício de Nassau sobre o Recife.

mar 18

Hoje o instituto Maurício de Nassau em parceria com o Jornal do Commercio, divulgou sua terceira rodada de pesquisas sobre as eleições municipais de outubro no Recife.

No cenário 1, o prefeito João da Costa detém 20%, o deputado Mendonça Filho 13%, o deputado Raul Henry 6%, o deputado Daniel Coelho 5%, Raul Jungmann 3%, demais candidatos 11%, brancos e nulos 27%,  Não sabe/Não respondeu 14%. Considerando os votos válidos, o prefeito João da Costa aparece neste cenário com 34%, Mendonça Filho 22%, Raul Henry 10%, Daniel Coelho 9%, Raul Jungmann 5% e demais candidatos 20%.

No cenário 2, João da Costa aparece com 22%, Raul Henry 10%, Daniel Coelho 7%, Raul Jungmann 5%, Silvio Costa Filho 3%, Branco e Nulo 35%, Não sabe/Não respondeu 18%. Nos votos válidos, João da Costa aparece com 47%, Raul Henry 21%,  Daniel Coelho 15%, Raul Jungmann 11%, Silvio Costa Filho 6%.

No cenário 3, João da Costa surge com 21%, Mendonça Filho 17%, Daniel Coelho 6%, Raul Jungmann 4%, Silvio Costa Filho 3%, Branco/Nulo 33%, Não sabe/Não respondeu 16%. Votos válidos: João da Costa 41%, Mendonça Filho 33%, Daniel Coelho 12%, Raul Jungmann 8%, Silvio Costa Filho 6%.

No cenário 4,  João da Costa 21%, Mendonça Filho 16%, Daniel Coelho 6%, Raul Jungmann 5%, Silvio Costa Filho 3%, André de Paula 1%, Branco/Nulo 32%, Não sabe/Não respondeu 16%. Nos válidos: João da Costa 40%, Mendonça Filho 31%, Daniel Coelho 12%, Raul Jungmann 10%, Silvio Costa Filho 6%, André de Paula 2%.

No último cenário, João Paulo que substitui João da Costa, surge com 41%, Mendonça Filho 15%, Daniel Coelho 5%, Fernando Bezerra Coelho 3%, Branco/Nulo 21%, Não sabe/Não respondeu 13%. Válidos: João Paulo 62%, Mendonça Filho 23%, Daniel Coelho 9%, Fernando Bezerra Coelho 6%.

No que diz respeito a aprovação da gestão João da Costa, 7% consideram ótima, 18% boa, 29% regular, ruim 21%, péssima 24%. Dependendo do referencial, 54% aprovam e 45% desaprovam. Apenas 1% não sabe nem respondeu. O governador Eduardo Campos com 95% de aprovação e a presidente  Dilma Rousseff com 91% serão eleitores fundamentais no Recife.

O cenário mais plausível é aquele que apresenta João da Costa, Mendonça Filho e Daniel Coelho como candidatos. O mais próximo disso é o cenário 3, com a saída de Raul Jungmann e  Silvio Costa Filho e distribuindo proporcionalmente suas intenções de voto, João da Costa surge com 47%, Mendonça Filho 38% e Daniel Coelho 15%.

Nos quatro cenários onde seu nome é colocado, o prefeito João da Costa aparece entre 34% e 47% dos votos válidos. Quando o processo é afunilado, como provavelmente a Frente Popular trabalhará, o prefeito amplia suas intenções de voto, quando pulveriza, o prefeito naturalmente perde.

Fazendo um comparativo Frente Popular x Oposição, chegamos aos seguintes números: Cenário 1 (54% x 46%), Cenário 2 (53% x 47%), Cenário 3 (47% x 53%), Cenário 4 (48% x 52%), Cenário 5 (68% x 32%). Isso mostra que se as eleições fossem hoje, a oposição vencia em apenas dois cenários e perdia em três.

Vale considerar o peso dos cabos-eleitorais. Enquanto João da Costa tem João Paulo, Eduardo Campos, Dilma Rousseff, Humberto Costa, Armando Monteiro que somados influenciam 58% dos eleitores, a oposição só tem Jarbas Vasconcelos como cabo eleitoral com 8% apenas. 24% não vota em candidato apoiado por alguém.

Para João da Costa, a neutralidade de João Paulo já é uma senhora ajuda, afinal 20% dos eleitores do ex-prefeito migram para o atual. Isso influencia na decisão da Frente Popular em optar pela reeleição do prefeito.

Entendo que no campo governista a pesquisa apenas deixa claro que não há muito o que se fazer com outras candidaturas. Exceto a de João Paulo que seria uma nomeação, as demais precisariam ser construídas e, convenhamos, faltando menos de sete meses para o pleito, é algo muito difícil.

O que nos leva a entender que o melhor candidato para a Frente Popular é o próprio João da Costa, que já dá sinais de recuperação nas pesquisas. O próprio eleitorado já está começando a diminuir a visão negativa que tinha em relação ao prefeito.

No caso da oposição, fica cada vez mais claro que a indefinição dela por qual estratégia a ser adotada prejudica e muito os planos da mesma. Apesar do prefeito ter uma rejeição considerável, o eleitor recifense não vislumbra em nenhum candidato oposicionista uma alternativa de mudança. A grande prova disso é que o eleitor enxerga João Paulo como o maior opositor do prefeito.

Essa pesquisa apenas corrobora a tese que venho defendendo que o prefeito tem grandes chances de ser reeleito e de liquidar a fatura no primeiro turno, desde que tenha o apoio integral da Frente Popular e a oposição continue sem rumo.

Para a oposição vencer a eleição de outubro ela precisará apostar no imponderável. Ou seja, um caso que mude completamente o curso da eleição. Caso contrário, a tendência é amargar a sua quarta derrota consecutiva na capital pernambucana.

Coluna Gazeta Nossa terceira dezena de março.

Coluna Gazeta Nossa terceira dezena de março.

mar 16

O objetivo de Armando Monteiro.

O senador Armando Monteiro (PTB) tem defendido uma candidatura alternativa na Frente Popular para a Prefeitura do Recife em detrimento da unidade em torno do prefeito João da Costa que legitimamente disputará a reeleição. A finalidade do senador é utilizar o pleito de 2012 como termômetro visando a eleição de 2014. Não passa pela cabeça do senador a possibilidade de ser candidato a prefeito do Recife porque sua atuação nunca foi metropolitana. Desde 1998, quando foi eleito deputado federal pela primeira vez, que Armando tem expressivas votações nos grotões. Também não seria interessante pra ele se candidatar a prefeito do Recife e automaticamente sair da disputa de 2014. O foco do petebista é ser governador de Pernambuco em 2014. Lançando uma candidatura alternativa como a de Fernando Bezerra Coelho (PSB) ou trocar o prefeito João da Costa pelo senador Humberto Costa (PT) seria afunilar o processo de escolha do candidato a sucessor de Eduardo Campos em 2014, afinal a lista tríplice passa pelo ministro Fernando Bezerra Coelho, o senador Humberto Costa e o próprio Armando Monteiro. Se Fernando Bezerra Coelho disputar e vencer a PCR, sai de 2014 e o processo se afunila entre os dois senadores, com argumentos favoráveis a Armando por ter sido o mais votado em 2010, pelo PT ter o governo federal e o PSB ter a PCR. Já com Humberto na prefeitura, a disputa entre Fernando Bezerra Coelho e Armando Monteiro pela indicação de Eduardo também seria, em tese, favorável ao petebista, porque o ministro poderia disputar o Senado. Porém, faltou Armando combinar com Eduardo. Como provavelmente o governador não deixará isso ocorrer, porque sabe que 2014 será antecipado e não é interessante pra ele, o senador Armando Monteiro não tem outra saída a não ser a de romper com a Frente Popular para se consolidar como candidato da oposição ao governo do estado. Afinal, a cabeça de chapa de 2014 vai ser do PSB e Eduardo não abre mão disso.

Desistiu – A ex-deputada Terezinha Nunes desistiu de ser candidata pelo PSDB a prefeitura de Olinda. Com isso, o PSDB deverá engrossar o cordão dos que apoiam a reeleição do prefeito Renildo Calheiros.

Impasse – A filha do deputado Carlos Santana (PSDB) está namorando com o filho do governador Eduardo Campos (PSB). O governador está sendo cobrado por aliados a apoiar o candidato do prefeito Pedro Serafim (PDT), o vereador Romero Sales (PMDB) contra Carlos Santana na disputa em Ipojuca. E o governador, como fica?

André Gomes – Renata André Gomes, filha do ex-deputado Moacir André Gomes jogou a toalha e não disputará mandato de vereadora, apoiará o irmão mais uma vez: Vicente André Gomes (PSB) que tentará a reeleição.

Cláudio Carraly – Depois que saiu do secretariado do prefeito Elias Gomes, Cláudio Carraly (PCdoB) saiu enfraquecido. Era tido como nome certo para a Câmara Municipal, agora virou dúvida. 

PSD – No próximo dia 31, o ex-deputado André de Paula comandará grande evento para receber o prefeito Gilberto Kassab, líder do Partido Social Democrático. Será no Clube Líbano.

DEM – Sem respaldo por ter apenas 27 deputados federais e 5 senadores, o DEM reivindicou a vice de José Serra em São Paulo, e em troca do apoio ao tucano, solicitou o apoio do PSDB aos seus candidatos em algumas capitais, inclusive no Recife.

PSDB – Faltou combinar com Sérgio Guerra, que apoia irrestritamente a candidatura de Daniel Coelho e não abre. Essa proposta do DEM beira o ridículo.