Coluna do blog desta sexta-feira

Geraldo Julio se complica na Lava-Jato 

Então secretário de Desenvolvimento Econômico, responsável pelo movimento de indústrias e empresas em Pernambuco, Geraldo Julio foi alçado por Eduardo Campos em maio de 2012 como pré-candidato do PSB a prefeito do Recife. Numa campanha de última hora, Geraldo aglutinou inúmeros partidos em torno da sua postulação. Fazendo uma campanha jamais vista na capital pernambucana em termos de estrutura, Geraldo subiu como um foguete nas pesquisas e liquidou a fatura no primeiro turno.

Naquele ano, de acordo com delatores da Odebrecht, o então candidato teria recebido da empreiteira R$ 500 mil, e seu codinome na lista de doações era invicto. De acordo com a prestação de contas do candidato não houve nenhuma doação da empreiteira, o que leva a crer que o montante foi proveniente de caixa dois, o que é proibido por lei, e apesar de não ser um crime tipificado, evidencia que o prefeito foi beneficiado por práticas escusas.

Essa citação do prefeito do Recife pode ser apenas a ponta do iceberg de uma enxurrada de denúncias que podem ferir de morte a sua trajetória política, uma vez que existem outras frentes de investigação, como por exemplo a operação Fair Play que envolve Geraldo diretamente em indícios de superfaturamento da Arena Pernambuco, que foi construída pela própria Odebrecht, bem como a operação Turbulência, que investiga a aquisição do jatinho que vitimou Eduardo Campos em 2014.

Como Eduardo Campos não está mais aqui para se defender, e o delator isentou o governador Paulo Câmara de ter recebido quantias indevidas, o prefeito Geraldo Julio deve entrar no olho do furacão nos próximos meses. Deve ser por isso que ele deu o que podemos chamar de uma mergulhada, evitando agendas públicas e viajando para o exterior sempre que possível. É como se ele soubesse que a sua batata está assando e por isso tem procurado evitar chamar atenção.

O fato é que Geraldo Julio, após as declarações do delator da Odebrecht, tem muito o que se explicar, sob pena de ter sua rápida carreira política interrompida.

Acordão – O presidente Michel Temer e os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso, estariam articulando um acordão com vistas a frear a operação Lava-Jato e evitar que um outsider como o prefeito de São Paulo, João Doria, chegue ao cargo de presidente da República em 2018. Porém é muito difícil que eles consigam colocar isso em prática, pois todos perderam qualquer legitimidade política.

Tempo – Caso permaneçam as regras de 2016 e confirme o cenário das candidaturas de Paulo Câmara, Armando Monteiro e Marília Arraes a governador de Pernambuco em 2018, Paulo deve ficar com cinco minutos de guia eleitoral e cerca de 40 inserções diárias, Armando teria pouco mais de dois minutos de guia e menos da metade das inserções diárias, enquanto Marília ficaria com um tempo menor do que dois minutos e pouco mais de dez inserções diárias. Com isso o governador Paulo Câmara tende a ser beneficiado.

Imposto – Uma das maiores aberrações da nossa república é a permissão do chamado imposto sindical, que permite a proliferação de entidades de representação classista sendo irrigadas com o dinheiro do contribuinte quase sempre tendo desvio de finalidade da sua função inicial. A sociedade exige da classe política o fim dessa famigerada contribuição e com certeza ficará contrária a qualquer movimento do presidente Michel Temer em manter essa aberração em vigência.

Encrencados – Os quatro últimos candidatos à presidência da República pelo PSDB, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves, foram dizimados pela delação do fim do mundo, mostrando que para os tucanos só há um caminho a ser tomado com chances reais de vitória em 2018, que é a candidatura do prefeito de São Paulo João Doria a presidente.

RÁPIDAS

Dizimado – O ex-presidente Lula após a divulgação do conteúdo da delação da Odebrecht foi dizimado politicamente. Lembrando que ainda tem a questão da OAS e muitas outras coisas que podem encrencá-lo ainda mais. Lula já é um cadáver político insepulto.

Irresponsabilidade – O deputado federal Betinho Gomes, que teve seu nome envolvido na Lava-Jato, classificou a divulgação da lista de propina da Odebrecht de irresponsabilidade e afirmou que irá provar a sua inocência na justiça.

Inocente quer saber – Luciano Siqueira já pode se acostumar com a possibilidade de assumir a prefeitura do Recife em definitivo?

Sobre Edmar Lyra
Jornalista político, editor do Blog Edmar Lyra.

3 Comments on Coluna do blog desta sexta-feira

  1. William Pontes // 14 de abril de 2017 em 8:27 // Responder

    O blogueiro tem lado, mesmo. Combate o imposto sindical para os sindicatos, e silencia quanto a contribuição patronal para o sistema S- Sesc/Senai/Sesi – um paiol de corrupção e utilização de dinheiro em campanhas políticas. Somos , de fato, autênticos patos. Quanto a história do PSB e Geraldo os mundos hominal, vejetal e espiritual sabem, e muito.

  2. Será que a derrocada do PSB vai afetar o orçamento dos jornais e blogueiros locais?

  3. Eu nunca vi um cadáver político levar milhares de pessoas para o Sertão da Paraiba, em 2018 vc vai ver a lapada que o companheiro LULA vai dar nas urnas.FORA GOLPISTAS NENHUM DIREITO A MENOS CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

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